Crônicas de uma crise existencial


Adicionar legenda


O mito de Sísifo - Por Albert Camus 1941 (adaptado por Natan_2019)

"Crônicas de uma crise existencial"

Perto das minhas tão queridas insônias, enquanto viajava na "maionese"...
Mergulhado em pensamentos existenciais, e na dúvida eterna de quem veio primeiro entre a galinha e o ovo... Fui acidentalmente transportado para uma crise existencial momentânea... -Possas pá!! Sempre a mesma questão sem resposta... qual é o objetivo da vida?

O mito de Sísifo escrito por Albert Camus fala sobre "um personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que, toda vez que estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido, todos os dias a mesma coisa, até a sua morte". -Isso faz-te lembrar alguma coisa?

Certamente sim...
Durante a nossa vida somos como esse homem condenado... Nascemos, estudamos, trabalhamos, construímos as nossas casas e famílias, traçamos pequenos ou grandes objectivos, e lutamos até os alcançar, mas quando chegarmos no topo (final da nossa existência física) morrermos e deixamos cair tudo. Tudo fica, absulutamente tudo fica, tudo que fizemos, tudo que construímos, tudo que nos esforçamos para conquistar, absolutamente tudo... Na morte (no topo) observamos tudo a desmoronar por meio de uma força irresistível, tal como a pedra que o Sísifo carregava todos os dias.

Parece um absurdo não?
Esse esforço contínuo e repetitivo que é viver não ter significado nenhum no final.

Então qual é o propósito?

Guess what? (Chris Rock voice)...
Eu não tenho a resposta.

Tem dois caminhos para a liberdade dessa condenação de Sísifo:
1. O suicídio
2. A Revolta

Aplicado a realidade:
Infelizmente muitos optam pelo suicídio existêncial... as pessoas têm sido condenadas a viver de uma forma tão padronizada, e acabam por não achar sentido algum em continuar o esforço. Vivem como se nunca fossem morrer, e morrem como se nunca tivessem vivido... Milhões de esquecidos e esquecíveis, que tombam na ideia de que o Carp Diem é o supra summos da sabedoria de vida. 

Mas, felizmente existe a revolta... que para Sísifo seria a tentativa de fuga a condenação, e que para nós seria a rotura da individualização da vida humana... ou seja perceber que a vida só faz sentido quando é vivida para os outros. Quando garantimos que quando chegamos ao topo, tem alguém que vai receber a pedra e dar continuidade ao que começamos.

Tem sempre alguém a olhar por nós... para o Sísifo eram apenas os guardas... mas para nós existem os que nos amam, os que nos odeiam, os que nos invejam e os que nos admiram... Acredita, não importa quem sejas, tem sempre alguém a olhar para ti.

Enquanto levamos a "pedra" com sucesso... Quem nos ama sorri... 
Quem nos odeia chora... 
Quem nos inveja se irrita...
Quem nos admira bate palmas...

Se no final deixarmos cair a pedra... Quem nos ama chora...
Quem nos odeia ri...
Quem nos inveja festeja... 
E quem nos admira se decepciona...

Então... que sejamos os revoltados... que passemos as pedras que carregamos todos os dias para os outros, para que só assim a nossa vida realmente tenha algum sentido.

Quem não vive para servir os outros condena-se a mesma sentença que o Sísifo, de ver todo o seu esforço morrer no final.

Natan in "crónicas de uma crise existencial"









Comentários